O que eles têm pra dizer I : Ewerton Maurício.

Meus queridos, é com grande satisfação que vos apresento a série O que eles têm pra dizer!

São algumas entrevistas com pessoas que - ao meu ver - merecem ser ouvidas (ou lidas). Sem mais delongas, OQETPD.
                        
Episódio I



Eu, João: Apresentação?
Ewerton Maurício: Sou Ewerton, tenho 21 anos, sou de Jaboatão - PE.

EJ: Qual o seu maior sonho?
EM: Sabe que eu não sei. Acho que só tenho um aglomerado de pequenos sonhos. Nada muito grande. Eles são meio equivalentes, nenhum transpassa o outro. Então, por definição, acho que meu maior sonho é ver o aglomerado de pequenos sonhos se realizar.

EJ: Qual foi a sua maior realização?
EM: Ter me tornado quem eu sou hoje. Há um tempo atrás (uns dois anos) eu era infinitamente menor. Como pessoa, como acadêmico, profissional, espiritual, como pensante, falante. E, uma porrada de coisas me aconteceu, e fui bem esperto em aprender com todas elas. Acho que se não fosse isso, nenhum dos restos me viriam. Então, o crescimento pessoal com certeza é a maior realização.

EJ: Qual foi a maior dificuldade?
EM: Ainda são duas: uma de ordem mais pessoal que eu chamo de auto-amor. A designação já fala por si só. E, uma de ordem mais social e externa que é ter força pra militar em dias que querem criminalizar os movimentos sociais e das minorias. Ter coragem e embasamento pra seguir com essas pautas é de um nível de complexidade/dificuldade bem grande. E acordar cedo também é meio difícil até hoje.

EJ: O que tu mais aprende com essa dificuldade?
EM: A primeira me diz muito sobre como nossa forma de amar em sociedade é meio unilateral, a gente aprende a vida toda que pessoas só são felizes com outras pessoas. Nos filmes, na TV, nas músicas, na vida em sociedade. 
A segunda me faz ver o quão é importante se manter firme a uma causa, ao que a gente acredita e vive, principalmente quando está ligado a direitos coletivos, porque a história tá aí pra mostrar o quão a garantia desses direitos são necessárias. Uma vez que essa barreira que impedia a ligação das duas partes (minorias/direitos civis) já foi transpassada por negros,  pelas mulheres, e talvez a comunidade LGBTS seja a última a conquistar isso. Persistência é a palavra de ordem.

EJ:O que mudaria no mundo?
EM: Com certeza a disponibilidade de recursos, serviços e informações. Tentaria equalizar entre as pessoas. E a cor do céu pra rosa. 

EJ: Como você se vê daqui a 10 anos?
EM: Em alguma extensão do ensino superior: pós, doutorado, livre docência. Casado (olha ai aquela história sobre a forma de amar unilateral), numa casa com 2 filhos (nem Deus sabe de onde vão sair), com barba e alto (como se eu fosse crescer ainda mais). É aquele mesmo cenário lúdico de qualquer família tradicional brasileira. Mas espero que dê tudo isso pelo menos a parte acadêmica e profissional esteja concretizada, o resto me parece tudo muito bobo, mas é como diz aquele ditado: fazer o que né?

EJ:O que te tira a paz?
EM: Desinformação. De todo o tipo!

EJ: O que te traz a paz?
EM: Correr, nadar, e pensar, e terminar os trabalho da faculdade.

EJ: Ewerton por Ewerton?
EM: Insuficiente e iludido.

EJ: Uma mensagem! O que tem pra dizer às pessoas?
EM: Ouçam mais, saiam da sua zona de conforto, se questionem e questionem, tenham mais empatia. E não saiam falando bosta nos comentários do Facebook, pelo amor de Deus.

EJ: Uma trilha pra essa conversa?
EM: Youth Novels - Lykke Li.

A Ewerton, todo amor!


Eu, João.