Talvez...

"Talvez na hora certa você me negue, e vai negar o quanto a solidão está te machucando. Talvez em pouco tempo você perceba que seu peito partido é ainda mais quebrado sem a minha presença. Talvez em questão de pouco tempo, você vai ouvir minha voz pela sala, mas vai ser só o vento maltratando suas memórias quentes dos meus sussurros em tua orelha. E eu... Eu vou estar por aí, vagando. Afinal, tu preferiu minha partida do que o afago dos meus dedos em tuas costas, preferiu a vida vadia do que essa "vadia" que se jogava em tua cama sem medo.
Talvez, na hora certa, você vai perceber... Ah! E vai se arrepender. Aí então vai procurar por mim, por ai, nos lençóis, nos cheiros, nos corpos, e não vai me achar, só vai se iludir e se afogar nesse abismo de ressentimentos e decepções. Porque meu corpo, único, você ousou negar. E vai lembrar que eu quis ficar, que eu quis insistir. Mas, você só pensava em fugir, só pensava em partir, pensava em tudo, em si, menos em mim. E tudo vai ter se tornado um 'talvez'."

Eu, João.