Solidão


Eu não sei se encho meu copo e começo a beber ou se apenas deixo tudo como está. Se bebo, falo de você sem perceber; se não, as memórias da tua presença me pegam quando menos noto.
Será que está bem? Será que vou ficar bem? Será que consigo deixar essas lembranças presas em suas celas? Ou quem sabe lembrar sem sentir esse aperto?
Queria que meus problemas emocionais fossem mais fáceis de decifrar. Queria que essa minha noite fosse mais rápida, menos dolorosa. Que essa tempestade parasse assim que eu fechasse meus olhos e caísse num sonho.
Cadê o sol com a luz que achei que teria depois desse tempo? Onde estão as flores que eu achei que nasceriam quando o calor chegasse? Onde estão? Onde está? Onde você está?
Eu não sei se te ligo numa tentativa de obter respostas ou se deixo tudo como está.
Convivo com essa mente que não consegue esconder que sente sua falta, e, que se incomoda demais com ela.

E é assim, vivendo em interrogações! Esperando uma resposta que me tire da dor e me dê de presente a vontade de mais uma vez me sentir completo, sem me sentir só.
Por enquanto, bebo. Mas bebo solidão.

Eu, João.