A minha fome por conhecimento


Já faz um tempo em que me peguei pensando sobre a minha curiosidade por diversas áreas. Depois de ler a biografia de Leonardo da Vinci, escrita por Walter Isaacson, essa minha curiosidade aumentou e o desejo por entendimento foi amplificado.
Quero deixar claro que não me comparo a Leonardo. Isso é impossível, improvável, injusto, e, acredito que nenhum ser humano deve ser qualificado pelos atributos do outro. Cada um tem a sua importância na vida.
No final, citar as palavras impossível, improvável e injusto acaba sendo um tipo de comparação. Mas não vamos nos prender a isso, senão tudo ficará complexo.
A minha busca vai do início do mundo até a incessante guerra da humanidade sobre o pós-vida. A minha busca é vasta. E é como dizem: quanto mais você aprende menos você sabe.
O universo por si só já é uma grande interrogação infinita. A mente por si só também é. A mente é um universo em menor escala. A interrogação é a origem do conhecimento. Mas, acho que estamos longe de saber sobre o que realmente é o início ou sobre o que realmente é o fim. E isso já matou gente demais ao longo da história. Não irei matar mais alguns.
A maior interrogação que me habita sem dúvida é a humanidade: como o amor e o ódio são vizinhos; como a compaixão e a falta dela moram no mesmo prédio; como a sociedade não admite estar errada. Mas, afinal, faço uma pergunta para refletirmos: quem dita o que é errado? Quem define o profano e o sagrado? Quem, hoje, é o dono da razão?
É, foram três perguntas.
Desculpem-me. O que é certo ou errado é assunto para um outro estudo. Me deixei levar pelo momento.
Voltemos...
Conhecimento é poder. Há diversas formas de interpretar isso, em diversas áreas. E, dentro de mim, também surgiu uma interpretação: conhecimento é poder sobre si. É entender (ou não) como funcionamos. Não falo em âmbito físico, biológico. Falo no sentido de ser, de existir. O conhecimento nos leva à existência. A minha fome me levou a isso. Na verdade, ela me leva até hoje.
As pessoas repreendem crianças por sua curiosidade. A criança cresce com medo de ser curioso. Algo que biologicamente já está implantado. Já está em nosso chip. Será que a evolução humana será afetada por essa privação? Entenda que não estou dizendo que não se deve alertar as crianças sobre os perigos do cotidiano. Não é deixar a criança ingerir plantas venenosas, nem deixá-la inserir objetos metálicos em tomadas. Estou dizendo sobre o descobrir, sobre o caminhar, sobre principalmente o cair e o levantar. Sobre a busca.
Claro que nos dias atuais, quando se fala em 'busca por conhecimento' remetemos ao Google. E é evidente que as crianças estão sendo programadas a ficarem quietas, hipnotizadas pelas telas dos smartphone, e, logo, levadas a acreditar que conhecimento se resume em busca virtual. Privamos as crianças de serem crianças? Nós privamos-as de buscar o conhecimento? Será que já estamos programados a não buscar esse conhecimento e consequentemente as privamos? Ou será que nós estamos num momento em que esperamos um intelectual decidir o que devemos pensar ou o que devemos dizer e compartilhar, nos fazendo ficar mudos?
Estamos trancados em jaulas, sendo alimentados por outras pessoas conforme às suas dietas e não conforme ao que necessitamos. Estamos tão cômodos com essa situação que nem percebemos que somos caça. E essa caçada pela posse das nossas vozes é perigosa. Muitas vezes nos tornamos algo irreversível. Só olhamos para um lado, só ouvimos um lado. Cavalos com antolhos. Que só olham para frente. Porém, para a frente que as rédeas nos guiam.
Meus caros, somos uma fonte inesgotável de curiosidade. Somos instrumentos de forças que vão além do palpável. Somos imensos. Por que ainda estamos nos olhando como pequenos? Por que muitas vezes nos vemos inúteis?
Devemos buscar! Buscar e encontrar!
Cerca trova!
Sejamos curiosos pelo caminho. Atentemos a ele. Não vamos pensar sobre o final da caminhada. O final é a morte. E, o conhecimento vai além dela.
Sejamos conhecimento! Conhecimento nos leva à existência. Conhecimento é poder sobre si.
Que nossas mentes sejam fontes, que nossas vozes sejam águas.

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