A rejeição do que não sou

Em busca do reconhecimento, nos tornamos escravos da ideia que queremos projetar.
A internet fez a geração de escravos. As redes sociais amplificaram essa escravidão.
Estamos no período escravocrata da segunda década. E pode piorar.
A quantidade de espectadores aumentou. Uma rede de conexões visuais. Todos estamos conectados. 'A' que conhece 'B' que é amigo de 'C' que curte a página de 'D' que se inspira nas fotos de 'E' que é companheiro de 'A'.
A imensa teia virtual que nos ilude, nos fazendo crer que sabemos toda a vida das pessoas. E, que essas pessoas têm de ser exatamente aquilo que desejamos.
Não somos mais tolerantes às diferenças. Mas, será que um dia fomos tolerantes? Será que o argumento que somos intolerantes hoje é apenas algo vago, que sempre fomos mas não assumimos?
É fato que ao longo da história da humanidade os homens, em diversas culturas, dizimaram e aniquilaram seus opositores. Que muitas mortes estão contabilizadas nas mãos das sociedades. Só que isso é um fato. Não se muda, nem mudará.
O ponto que quero dizer é: se nós, seres em constantes evoluções, dia após dia, nos tornamos melhores, por qual razão ainda não respeitamos aquilo que não faz parte de nós? Por que brigamos quando somos contrariados? Por que não respeitamos pessoas diferentes? Por que não convivemos em união? Simples, é a nossa natureza. Nós estamos habituados a negar tudo aquilo que não nos encaixa. Se não acreditamos, se não concordamos, se não conseguimos entender que fulano ou ciclano pensa diferente e tudo bem isso, nos entramos num processo de "eliminação". Eliminamos do nosso círculo, eliminamos das nossas falas, e com o tempo, eliminamos da vida.
Isso é extremamente perigoso.
Vivemos num momento em que idiota é quem não pensa igual. Que esquecemos todos os anos em que vivemos com aquela pessoa a partir do momento em que ela se posiciona em ideias ou ideais diferentes dos nossos.
Como diz no livro Sapiens de Yuval Noah Harari: ou temos igualdade ou temos liberdade, os dois não. Não são compatíveis. Não há possibilidade de existirem juntos. Não sei em algum outro século, mas, não nesse. Ou somos livres ou somos iguais, os dois não.
Prefiro que sejamos livres. Livres para pensar, livres para falar, livres para sentir. E, que nenhuma outra liberdade tente interferir a nossa.
Pensando nisso, entra um questionamento nesse desejo: será possível sermos todos livres? Iguais não somos. Nunca fomos. Nunca seremos. O conflito está na nossa natureza; o confronto está no nosso gene. Enquanto existirem humanos, existirá confronto. Melhor, enquanto existir vida, existirá conflito e confronto. Cabe a nós, tentar amenizar da melhor maneira os embates.
Evoluiremos!

Será?



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