A síndrome do compartilhamento

A geração atual é a geração do instantâneo.
A ansiedade é a doença do século?

Se é, onde encontraremos a cura?
É visível que o número de pessoas ansiosas cresce junto ao número de usuários nas redes sociais.
Posso até dizer que as redes sociais são a nova droga e a ansiedade é o efeito colateral.
As pessoas estão dependentes da agilidade. O instantâneo tem que ser absoluto. Não somos mais capazes de esperar 20 minutos por uma resposta.
A tecnologia aproximou as pessoas. Tanto ao ponto de crermos que a resposta tem que ser imediata. Que, por mais que em outro local, a resposta tem que ser tão rápida quanto a resposta de uma pessoa ao lado.
Encurtou consideravelmente a distância entre entes queridos. Contudo, também os afastou. Pelo fato de ser muito acessível e pela facilidade de se comunicar, se tornou menos importante.
O custo é menor, logo nos dá mais tempo. O acesso é maior, logo nos dá mais facilidade. A facilidade é maior, logo se torna mais fútil.
Cartas e ligações telefônicas - principalmente as ligações - eram algo infrequente. A comunicação era (pelo menos, em minha família) algo semestral. E, dependo do parente, anual. Nós sabíamos da sua existência, mas o custo era alto para nos comunicarmos.
Atualmente, o custo é pequeno e a comunicação se tornou diária (através de mensagens de bom dia, vídeos ou áudios engraçados). Entretanto, o fácil se torna fútil com o tempo. Como tenho um meio de me comunicar em segundos com uma pessoa que está a quilômetros, posso muito bem deixar para depois. E deixar para depois. E para depois. Depois. Depois. Até pararmos de lembrar. E mesmo com os próximos, esquecemos completamente de perguntar com frequência se a pessoa está bem. O pior disso tudo é que nos lembramos dessa pergunta quando passam tragédias nos noticiários. Quando tomamos notícia de uma perda inesperada de alguém. É aí que mais lembramos de dizer 'eu te amo' ou 'você está bem?'.
Vejam, é tão simples e fácil entrar em contato que perguntar como uma pessoa está se tornou estranho.
Se o ser humano está em constante evolução, quando paramos de progredir?
Vejam também como é tão normal em eventos, vermos pessoas que passam boa parte do seu tempo filmando ao invés de aproveitar. Como é tão normal vermos em nossas redes, vídeos (que geralmente está com um áudio altíssimo e que sempre têm pessoas cantando ou gritando no ritmo da música) de shows. Eu já fui uma pessoa assim. Até parar e perceber que aquele momento permanecerá na minha mente por anos. Que um vídeo de 10 a 15 segundos, em 24h não será mais lembrado. Tudo ficou instantâneo. E se todo momento é único, é importante que esteja guardado em um local importante.
É fato que as fotografias e os vídeos nos dão lembranças boas. Mas, isso não quer dizer que devemos ter apenas lembranças através desses vídeos. O nosso armazenamento interno é muito mais importante.
A nossa rede de aprovação tem que ser de fato especial. Temos que nos manter rodeados de pessoas que nos fazem bem. Pessoas reais com presenças reais.
Provavelmente "qual a senha do Wi-Fi?" é a pergunta dos últimos cinco anos. Será a pergunta da década? Necessitamos estar conectados o tempo todo. Precisamos de agilidade, de resposta rápida. Precisamos das nossas redes.
Vamos refletir: o que acontece quando uma grande rede sai do ar por algumas horas?
As pessoas enlouquecem! A necessidade por ver a vida das pessoas, postar sobre sua vida, é tão grande, que todos entram em alvoroço.
Precisamos parar um pouco. Precisamos olhar mais com os nossos olhos, não pelas telas. Precisamos sentir mais o momento. Para que no futuro, nossos corações estejam repletos de memórias boas e sentimentos bons.


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