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EU, ELE, NÓS...

Só era medo, um tal João que tinha em seu nome dois dos amigos de Cristo. Era o que diziam quando ele se entendeu.

Nunca deixou para trás os sentimentos que sentia; era uma maldição que carregava, pois não era tão simples assim esquecer.

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Sua escrita era sua amiga. Suas palavras, seu abrigo. Nos amigos encontrou a essência que, ao longo do tempo, desenvolveu.

Amante da música, das artes, dos amores. Sua curiosidade era parte do que aprendeu a ser.

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Extremamente pensante, demorou para agir no que garotos de sua idade já tinham como ação. Encantava pela educação, e seu carisma era parte disso. Mas entender que era desse jeito o fez, muitas vezes, duvidar do que importava. Fez com que duvidasse se o que importava vinha do coração.

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Escondia suas poesias com medo do que poderiam interpretar. Não era popular ser romântico; ser romântico nunca foi sinônimo de ser popular. Naquela época, era isso que contava, junto com a beleza e o jeito de agir. Não se arrepende de ter ocultado esse lado, mas se pergunta, curioso, o que poderia ter sido.

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Achava-se engraçado, e isso o aproximava de quem admirava o humor de um pequeno jovem com idade dos maiores. Com a inteligência dos fortes e atos de um covarde, sua timidez não o deixava superar isso.

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Entender o que tinha dentro de si demorou. Mostrar o que realmente era também demorou. Já na maioridade floresceu o desejo de dizer: “Sim, o autor sou eu! Foi de mim que saíram coisas tão belas.”

Ele sabia que era belo porque encantava quando ocultava o nome das mãos que criaram aqueles versos.

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Foi amadurecendo, se apaixonando, amando e aprendendo a viver na luz do que era. Desde cedo sabia que era diferente dos demais, mesmo quando olhou para trás e viu os seres que passaram por seu caminho, conquistando com palavras belas apenas para conquistar, sem ser feliz por ter prendido um coração. Era só o corpo e nada mais. Mas ele não era assim, ele queria mais.

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Quando aprendeu a utilizar suas frases para conquistar, soube que o que permanece é o que lhe fazia bem. Deu seu amor sincero diversas vezes até entender que o sincero do outro também precisa existir. E dizer isso parece que o faz ter sofrido demais. Ele não acha que foi demais. Foi feliz até demais. Até ser o que lhe faz bem quando se olha no espelho. Seu coração não é sobre os outros; é sobre o que acredita ser o certo.

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A vida não é só feita de acertos. Errou bastante, até mesmo com quem dizia amar e por quem sentia amor. Aprendeu a lidar com despedidas. Sua maldição de não esquecer o fez sofrer por muito tempo com coisas tão pequenas que, muitas vezes, eram banais. Mas isso não fazia parte dele. Ele sentia. Só sentia. E agia como quem sente tudo: sofrendo, amando, se renovando.

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Aprendeu a ser ouvinte. Adquiriu conhecimentos diversos. Quis viver. Viu a vida.

Ao ficar mais velho, passou a se importar menos com o que os outros poderiam pensar sobre o que era. Sentia-se belo por ser inteligente e por atrair pessoas para o seu círculo. Era lindo ver as pessoas dizendo que o amavam. Era lindo ver as pessoas dizendo o quanto o admiravam. Era feliz pela beleza de sua mente.

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Não negava, nem nega, o olhar quando o corpo todo sente. Não esconde sentimento nem palavras que vêm do coração. Ele sabe que seu coração é sincero e se orgulha em dizer sempre o que sente, às vezes se citando no passado, às vezes no presente.

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Ama as diferenças, as liberdades, as cores, as mentes. Ama as flores. Ama os abraços, os laços, os pequenos gestos, os povos, as lentes. Ama os olhos que enxergam o mundo de forma diferente. Ama o futuro e sabe que coisas boas o esperam. Nunca deixou de acreditar nos sonhos e no que pode ser. Sabe que, quando um sonho morre, pouco a pouco o corpo morre também. Mantém essa chama acesa mesmo em dias de escuridão.

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Ele sabe o que é, sabe o que pode ser. Sabe o que tem, sabe o que pode conquistar. Sabe o que pode proporcionar. Ele sabe que tem o poder de emocionar.

A emoção é parte essencial de sua caminhada. Sem guardar rancor ou raiva, olha para as pessoas e deseja que sejam melhores, não que sejam iguais. Que sejam mais.

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E nas palavras deposita o que acredita. No seu grito deposita o coração. Nas palavras, nos atos, nos gestos, nos jeitos, nos beijos, nos amores, ele afirma o que é, ele afirma quem sou. E tudo sou eu, João.

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