top of page

APONTAMENTOS POÉTICOS

  • 13 de ago.
  • 1 min de leitura

Poetas são criticados por sentimentos que não são deles, mas que eles sentem. Julgados por saber transmitir em palavras o que todo peito em algum momento quis dizer. Sua facilidade é categorizada como fragilidade. Como se ele sempre doesse, como se ele sempre chorasse, como se ele sempre sangrasse. No final, apesar do sentimento ser de todos, a condenação é só sua.


Na vulnerabilidade do outro, poemas servem. Na conquista, na forma de maquiar seu eu, na recuperação do que se tinha, para reparar a imagem, restaurar a reputação, poetas e poemas são momentaneamente postos em pedestais. Sem essas condições e contradições, julgamentos, não louros.


São fracos, frágeis, tolos por conseguir dar ao outro — não um sentido, mas um contexto — para o pretexto do sentir.

Que grande pecado fazer do poeta um réu por apenas ter feito, com precisão, o retrato falado dos loucos que sentem.

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page