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O PROCESSO DE ELIMINAÇÃO

há 4 dias
2 min de leitura

Em busca do reconhecimento, nos tornamos reféns da ideia que queremos projetar.


A internet criou uma geração de reféns, e as redes sociais ampliaram esse cativeiro. Vivemos a era do cativeiro digital. E pode piorar.


A quantidade de espectadores aumentou. Uma rede de conexões visuais. Todos estamos conectados.

Uma imensa teia virtual nos ilude, fazendo-nos crer que sabemos toda a vida das pessoas e que elas têm de ser exatamente aquilo que desejamos.


Não somos mais tolerantes às diferenças. Mas será que um dia fomos? Será que dizer que hoje somos intolerantes é apenas algo vago, algo que sempre fomos, mas nunca assumimos?


É fato que, ao longo da história, os homens, em diversas culturas, dizimaram e aniquilaram seus opositores. Muitas mortes estão contabilizadas nas mãos das sociedades. Isso não se muda, nem mudará.


O ponto que quero destacar é: se nós, seres em constante evolução, nos tornamos melhores dia após dia, por que razão ainda não respeitamos aquilo que não faz parte de nós? Por que brigamos quando somos contrariados? Por que não convivemos em união? Simples: é a nossa natureza. Estamos habituados a negar tudo aquilo que não nos encaixa. Se não acreditamos, se não concordamos, se não conseguimos entender que fulano ou ciclano pensa diferente e que isso não tem problema, entramos num processo de “eliminação”. Eliminamos do nosso círculo, eliminamos das nossas falas e, com o tempo, eliminamos da vida.


Isso é extremamente perigoso.


Vivemos num momento em que idiota é quem não pensa igual, em que esquecemos todos os anos de convivência com uma pessoa a partir do instante em que ela se posiciona com ideias ou ideais diferentes dos nossos.


Isso não seria uma algema para a nossa liberdade de escolha?


E segue a ideia: dificilmente teremos igualdade e liberdade ao mesmo tempo. Quanto mais se busca uma, mais se tende a limitar a outra. Para igualar todos, é preciso restringir escolhas; para deixar todos livres, as diferenças aparecem e crescem. Não sei se em algum outro século foi possível conciliar as duas, mas, neste, parece quase impossível.


Prefiro que sejamos livres. Livres para pensar, livres para falar, livres para sentir. E que nenhuma outra liberdade tente interferir na nossa.


Pensando nisso, surge um questionamento sobre esse desejo: será possível sermos todos livres? Iguais não somos. Nunca fomos. Nunca seremos. O conflito está na nossa natureza; o confronto está no nosso gene. Enquanto existirem humanos, existirá confronto. Melhor: enquanto existir vida, existirá conflito e confronto. Cabe a nós tentar amenizar os embates da melhor maneira possível.


Evoluiremos!


Será?

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